
Quinta-feira, Janeiro 01, 2009
REVEILLON
Essa época do ano é muito interessante: todo mundo falando que não gosta da falta de sinceridade de quem nem te conhece e vem te desejar um bom ano, que é uma época de aparências e falsidades e tudo o mais.
Também já pensei isso, mas, hoje, amadureci as idéias, me conformei que não há o que se fazer, procurei o lado bom e, no fim, descobri que adoro o fim do ano.
Primeiro, porque não vejo grandes problemas em pessoas que eu mal vejo, ou nunca vi, me desejando um feliz ano novo. E desejo-lhes de volta. Se estivessem desejando que minha casa pegasse fogo, aí sim seria um problema. Situação parecida no dia-a-dia é desejar que o cobrador do ônibus tenha um "bom dia". Vocês não se conhecem, nem sabem os nomes um do outro, mas é cordial e até agradável desejar que o dia do outro seja um bom dia - e dizem que até melhora o humor.
Depois, abraçar é bem legal. Adoro abraços. E aquela campanha Free Hugs, que todo mundo vive falando participar? Quantos estranhos você abraça, normalmente? Abrace no Reveillon - e pode apostar que todo mundo estará limpinho, sem cheiro de suor pra você ficar com nojinho.
Agora, apelando: E aquele cara super gato, que você sempre quis tirar uma lasquinha e nunca teve a chance??
Isso sem contar a bebedeira.
Reveillon é uma época bem legal. E, só pra aproveitar o título, o meu coração sempre vê a luz do dia, até no meio das ditas falsidades de ano novo.
Giovana e você leu. Agora comenta!
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Segunda-feira, Dezembro 08, 2008
APRENDIZADO
De repente, virou novembro, e eu tive um milhão de trabalhos pra fazer em cima da hora. Não mais que de repente, virou dezembro, e estou de volta em casa, um pouco mais madura, um pouco mais chorona, um pouco mais gorda e cada vez mais diferente do que você me conheceu.
Aprendi a conviver (pacificamente) com pessoas diferentes de mim, aprendi a não julgar pessoas à primeira vista (mas eestou lentamente desaprendendo) e a ser amiga de quem eu achava que jamais seria. Que nenhum lugar é tão longe que não possa ir a pé, e que nada é tão certo que não possa dar errado; que é mais difícil perder peso que ganhar, aprendi as regras de bibliografia da ABNT, a não comentar PT alheio e não subestimar ninguém. Também aprendi que às vezes é mais importante ter cérebro que bunda; às vezes, o contrário. Aprendi a perder a vergonha e cantar Like A Virgin vestida de noiva em frente da sala toda, aprendi que barriga de grávida pesa, que eu posso amar alguém que ouve Jonas Brothers (e/ou similares) no carro, aprendi a passar vergonha e fazer as pessoas rirem - e a rir das vergonhas que as pessoas passam. Aprendi que as coisas custam dinheiro, e dinheiro dá trabalho, e que, daqui pra frente, tudo que eu for fazer sempre vai dar mais trabalho. Aprendi que algumas pessoas simplesmente têm muito mais dinheiro que eu, e nunca vão aprender isso. Aprendi a sentir falta da minha casa e que, se eu ligar de madrugada pra minha mãe, ela vai atender e conversar comigo o quanto eu precisar; aprendi a limpar uma casa que me disseram que era minha, a lavar roupa na mão e a dormir com os pés pra fora da cama, ou no chão, ou no colchonete sujo de cerveja, ou na aula, ou não dormir. Aprendi que Brahma é melhor que Skol, e que Original é melhor que Bohemia, e que Bohemia tem gosto de flor. Aprendi que sempre dá tempo e sempre dá certo - é só alguém se empenhar pra isso. Aprendi que as pessoas às vezes não se empenham, e que, se você quer que algo seja "feito" (nem precisa ser "bem feito"), pode ser que você tenha que fazer bem mais que a sua parte. Aprendi também a colar canecas e parapeitos de janela quando eles quebram. Aprendi que o noturno não fede (inteiro), e que, apesar disso, preservar tradições é legal. Aprendi que é legal ir pra balada de 3a feira e quase bombar de falta nas aulas da 4a de manhã. Aprendi que tirar 10 de Lesiglação e 8,5 de Jornalismo Impresso nao significa que eu estou na faculdade errada. Aprendi, na marra e com muito choro, que, mesmo que eu desista do curso e volte pra Piracicaba, a vida que eu tinha antes não vai voltar. Aprendi que crescer dói, como quando eu tinha 12 anos e meus joelhos doíam por causa do estirão de crescimento - mas, nesse ano, não bastou tomar analgésico. Cresci mais do que cabia em mim e fiquei com umas estrias horríveis. Mas, como tem tratamento pra estria, vou arrumá-las no verão e me preparar para as outras que surgirão.
Mas ainda não aprendi a fazer arroz, nem a fritar um bife sem ele virar carvão.
Acho que ainda tenho muito o que aprender.
Giovana e você leu. Agora comenta!
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Quarta-feira, Outubro 29, 2008
SOBRE SER FELIZ
Há algumas semanas, tive uma pequena crise de identidade. Aquelas que todo mundo tem aos 18 anos: o que eu vou fazer da vida, o que eu estou fazendo, porque eu, coisas desse tipo. E, quando não se acha resposta, eu vejo duas alternativas: continuar levando, esperando que um dia a resposta chegue, ou desistir da vida e se suicidar. Como eu sou muito covarde pra me matar, resolvi continuar vivendo.
Passado esse período de crise, percebi quantas coisas felizes e bonitas existem ao meu redor. Se fosse a Branca de Neve, seriam esquilinhos e passarinhos que assobiam comigo. Mas, como não sou e nem sei assobiar muito bem, as coisas felizes e bonitas são aquelas da sessão da tarde: amigos, família e as aventuras dessa turminha da pesada em geral. Então, me conformei com isso.
Nesse último fim de semana, percebi que essas historinhas de sessão da tarde não são só ladainhas pra crianças crescerem com bons valores morais, apesar da mãe viciada em aspirina com vodka e do pai que aposta a casa no jogo do bicho. Meu irmão sofreu um acidente feio de carro, mas saiu com apenas alguns arranhões feitos pelo atrito do cinto com a pele. Já com o carro, o que aconteceu de menos pior foram alguns arranhões. Mas o problema foi o susto: qualquer um que visse o estado que ele (o carro) ficou, acharia que o motorista tinha morrido. E, por um momento, imaginei como seria se meu irmão estivesse sem cinto. Tive aquela sensação de quem tem tudo, mas não tem nada - apesar de, para chegar ao "tudo" ainda me falte muito.
A atriz e cantora Jennifer Hudson passou por piores momentos na última semana. A mãe e o irmão dela foram assassinados, e o sobrinho foi encontrado esses dias, morto. Acho que interiorizei a situação toda. Fiquei de coração partido. Acho que ela sentiu de verdade o que eu apenas imaginei, e trocaria o American Idol, o Dreamgirls, o Sex And The City, o Globo de Ouro, o Oscar e a grana que ela ganhou com tudo isso por tê-los de volta. E a sensação de impotência por não poder trocar. Ter tudo e não ter nada.
Acho que, depois do lance do meu irmão, eu comecei a pensar que a nossa vida não é só para nós. Vivemos para os outros por amor. Não há uma pessoa que não vá sentir sua falta no mundo se você morrer. Então, você continua, apesar de tudo, porque você não quer ver quem você ama sofrendo por sua causa. Sei lá, é o que eu acho. Acho que tem muito menos entre a pessoa e a felicidade do que a gente imagina.
Obs: não quer dizer que eu tenha deixado de achar que a felicidade cabe numa bolsa Gucci. Como já disse, depende da coleção.
Giovana e você leu. Agora comenta!
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Segunda-feira, Setembro 22, 2008
MUNDO PRÁTICO
Há algum tempo, eu disse aqui que tudo que os homens fazem é pra agradar uma mulher. Agora, reconheço que estava errada. Homens são, no fundo, egoístas; criam tudo para agradar as mulheres, para que elas gostem deles. Ou seja, estavam preocupados só com eles.
E, preocupados só com eles, eles criaram a praticidade. Por exemplo, receosos de terem de levantar do sofá para mudarem o canal, eles criaram o controle remoto. Com medo de ter que ir de jegue nos lugares, eles criaram o carro. Apavorados pela idéia de as coisas não caberem na sua pasta de homem de negócios, eles criam coisas pequenas, menores, menores ainda. Cmo o maldito do pendrive.
O pendrive é o símbolo da modernidade, da evolução das coisas portáteis. Tudo começou com um disquete, para o homem gravar sua apresentação em powerpoint e mostrar pro chefe o plano de crescimento da empresa. Mas o disquete ficou pequeno para o tanto de coisas que o homem muquirana queria armazenar nele, fazendo com que ele fizesse o terrível esforço de carregar 20 disquetes pra levar tudo. Então, surgiu o CD. O CDRW, uma maravilha da tecnologia, que abre em (quase) todos os computadores e armazena 300 vezes o que o disquete armazenava.
Mas não era suficiente.
O homem muquirana queria armazenar mais coisas ainda. E o CD não era mais suficiente.
Aí, veio o pendrive. A evolução final. De um giga, dois, três, oito giga! Um absurdo de tecnologia em uma coisinha pequena. Menor. Menor. De 5 centímetros. Para agradar a todos os sexos e todas a idades: preto.
Amaldiçôo o criador do pendrive de 5 centímetros preto!! É impossível perdê-lo mais facilmente!
Fizesse pelo menos que nem aquele chaveiro, que você bate palmas e ele apita, para achar a chave rapidinho. Se bem que, no meu caso, ia apitar o pendrive, a chave, o pé do sapato, o óculos...
Giovana e você leu. Agora comenta!
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Terça-feira, Setembro 02, 2008
CHEGA DE AMY!
Tem coisas que, por mais que te irritem e você tente se livrar delas, você não vai conseguir. Como a monocelha. Você até pode tirar ela da sua vida, mas ela vai voltar.
Esse efeito bumerangue é algo muito presente na vida, é só reparar. Eu vivo falando que a MTV tá uma merda, que a Marimoon é péssima, mas eu sempre assisto. Tanto que eu posso continuar dizendo que a Marimoon é péssima, porque eu, assistindo MTV, presenciei ela tendo a capacidade de perguntar para a modelo Michele Alves se as modelos são tímidas como parecem. Acontece que a única coisa que modelo não pode ser, além de gorda e feia, é tímida. Acho que ela não sabia. Mas voltando ao assunto.
Um programa péssimo da Mtv (redundância) é o Todos os VJs do Mundo, que mostra um monte de gente feia e sem carisma falando algo que ninguém sabe o que é, porque ninguém presta atenção. Apesar disso, estava vendo esses dias, em que falaram da Amy Winehouse. Tenho dois CDs dela e acho ela uma cantora muito boa. Não “sensacional”, “muito boa”. E minha ira foi despertada quando chamaram a Eini Winehouse de “garota-problema”. Cara, a Amy já encheu o saco. Então resolvi falar mal dela um pouco, pra variar, já que ninguém faz isso.
1) Ela tem a perna fina. Mas não fina que nem de modelo; fina que nem perna de flamingo.
2) As tatuagens dela são feias. Feias mesmo. Parecem desenho de criança. Ou tatuagem de chiclete.
3) Ela tem uma colméia na cabeça. Ponto.
4) Ela usa graxa no lugar da maquiagem. Ponto.
5) Ela não tem expressão nenhuma. Nem de alegria, nem de tristeza, nem de chapada, e olha que ela é uma garota-problema. O que é meio estranho pra um artista, já que a arte é uma forma de expressão. Se a Amy Winehouse não tem expressão nenhuma, então a música dela significa coisa nenhuma. (pode ser que você não tenha gostado, mas o raciocínio é lógico.)
6) Os clipes dela são ruins. Acho que é porque ela não tem expressão. Tanto não tem expressão que ela fica parada, e a câmera tem que se mexer por ela. E não funciona. E o clipe fica ruim.
7) Ela é feia. E ponto! Se alguém tentar me convencer que é bonita, te convenço do contrário. Ela é uma feia que tentam de todas as maneiras deixar bonita, que nem a Rihanna, a Fergie e a Carolina Ferraz. A prova: veja o vídeo de Take The Box, uma música do primeiro CD dela. A música é ótima, mas o clipe é uma prova tanto deste item como do 6.
E, por mais que eu esteja de saco cheio da Amy Winehouse, ela vai continuar azucrinando minha vida com suas idas e vindas pra rehab, o marido na prisão e o cabelo loiro à la Walter Mercado. A música dela não me estressa. A música é boa; ela que é um saco.
Giovana e você leu. Agora comenta!
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Quinta-feira, Julho 24, 2008
A EVOLUÇÃO TOTAL DA COMUNICAÇÃO
A cada período muito longo de tempo, há uma evolução nas espécies. A cada período menor de tempo, há uma evolução nos transportes, na comunicação, nos brinquedos infantis e na música. Lembrando aquilo que seu professor de Biologia insistia: "evolução não é necessariamente uma melhoria!" e você, como bom aluno que queria passar na faculdade para encher a cara e morar fora (assim como eu), não prestava atenção em notas de rodapé e não sabe disso até hoje. A única coisa que você sabe mesmo é mexer no MSN e no Orkut, as maravilhas da comunicação do século XXI.
Convenhamos, é importante saber mexer nessas coisas atualmente. Os outros meios de comunicação ficaram obsoletos depois da invenção deles. Ninguém mais usa telefone, por exemplo. Tv e rádio, dizem alguns, também estão com os dias contados por causa da Internet. Mas até e-mail ficou obsoleto - a não ser que precise fazer cadastro em algum site... como o Orkut.
O Orkut, mais que o MSN, é um divisor de águas na história dos relacionamentos interpessoais. É um facilitador. É o Messias dos meios de comunicação! Ou vai dizer que você não achou que fosse o fim do mundo quando o Orkut saiu do ar? E logo depois da morte da Dercy!
O pânico geral, especialmente na faixa etária dos 8 aos 14 anos, é justificável. O Orkut é parte importante da vidas sociais atuais. Pode-se dizer até que é A vida social, desde seu começo (conhecer as pessoas) até o seu máximo (amizade, namoro, etc). Tá de olho no bofe, mas não sabe se ele tá com ou de olho em alguém? O Orkut te fala. Precisa arrumar assunto pra falar com o bofe? O Orkut te fala. Quer falar com alguém, dar sinal de vida? Que telefone o quê, no Orkut dá pra fazer isso de graça. Isso sem contar a função anti-gafe/quebra-galho que é ele te dizer quando seu amigo faz aniversário pra você dar os parabéns fingindo que, se não fosse o Orkut, você daria os parabéns do mesmo jeito. E, novamente, parabéns por scrap. Telefone, nem sei mais usar.
Uma amiga minha até diz que "só está namorando se estiver 'committed' no Orkut".
Hoje o Orkut é tão essencial que todo curso de Comunicação deveria ter uma matéria chamada Técnicas de Manuseamento de Orkut. I, II e III. "É imprescindível, para um aluno de Comunicação Social", saber mexer no Orkut e no MSN. O problema é que, como hoje em dia qualquer homem das cavernas sabe mexer nisso, o mercado de trabalho está ficando apertado. Anotem isso: num futuro não muito longínquo, os alunos de Comunicação perderão estágios e empregos para crianças de 8 anos, só porque elas operam Orkut e MSN com muito mais facilidade.
Giovana e você leu. Agora comenta!
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Terça-feira, Julho 08, 2008
VELHICE
Não sei se alguém perecebeu, mas eu dei uma atualizada aí no canto direito. Tirei links que não existiam mais (ou seja, quase todos) e adicionei outros, de meus colegas (aspirantes a) jornalistas. Também arrumei minha idade, já que faz alguns meses que eu não tenho mais 17, quase 25 anos.
Aí veio o baque. 18, quase 26 anos. Meu Deus, eu tô ficando velha!
Quando eu comecei a postar aqui, tinha 15 anos. Foi no começo de 2005. Eu jogava queimada e queria fazer faculdade de Medicina, decifrava músicas de excursão e não tinha me viciado no ócio não-criativo, ou seja, era bem mais criativa do que hoje. Três anos e sete quilos a mais depois, faço faculdade de Jornalismo, não lembro das letras de músicas de excursão, nem de onde tirava tanta inspiração pra escrever. Mas sabe como é, o mundo tem que girar e o tempo tem que passar.
Meus amigos de infância, aqueles que brincavam comigo de Barbie e se casavam e tinham filhos de faz de conta, gostaram tanto da brincadeira que estão se casando e tendo filhos (não necessariamente nessa ordem) de verdade. Meus amigos de crescida concordam comigo que a balada que a gente ia até alguns meses atrás é chata pra burro, que só dá criança e aspirantes a roqueiros junkies, e que é muito mais legal sentar num bar e ficar conversando. Não tenho paciência pra ir ao shopping de domingo e encontrar a malocada (ou molecada) e suas infalíveis técnicas de sedução. Acho que a música que as crianças ouvem hoje não presta, que antigamente os políticos eram honestos e que "a solução é a ditadura, mas com um ditador bom" (tá, nem tanto. E a citação é da minha vó, olha que velhinha esperta). Além disso, eu carrego na bolsa um estojinho com todos os tipos de remédio que você puder imaginar, pra curar qualquer tipo de dor ou mal estar - ou seja, sou o próprio geriatra.
Um velho amigo velho meu, na sua sabedoria de 22 anos de idade, me disse esses dias que eu passei por um fenômeno natural que acontece com todo mundo que entra na faculdade, o qual ele chama de "amadurecimento pós-faculdade": você passa a achar tudo o que fazia antes chato ou coisa de criança, e prefere discutir valores e aqueles assuntos indiscutíveis, como religião e política, a discutir o final da novela. Eu, que estava com medo de virar uma velha de 18 anos, me senti aliviada: acho que cerveja vai muito melhor com Maria Paula e do Ferraço do que com monogamia.
Aliás, vocês gostaram do último capítulo da novela? Eu odiei.
Giovana e você leu. Agora comenta!
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Sexta-feira, Junho 27, 2008
"BIXETE BURRA!"
Depois de um semestre em reduto espiritual no ponto mais central do estado, do país e, quem sabe, do mundo, volto para dividir os frutos de minhas experiências com os leitores deste falido blog. Durante esses três meses (sim; curiosamente, no centro do universo, “semestre” equivale a TRÊS meses),vesti-me de uma nova identidade. Aquela que todo mundo deixa de ir pra balada pra conseguir e que sua mãe chora, seu pai te dá um carro, sua vó entope seu refrigerador de comida e que te deixa por fora de todos os assuntos dos seus amigos quando você consegue: estudante universitário.
E que vida bacaninha! Tem festa na 3ª feira, não tem papai e mamãe pedindo satisfação, tem um monte de amiguinhos novos (com assuntos que você está sempre por dentro) e não tem irmão nenhum pra dividir a internet com você.
Os universitários são uns 20 mil nesta cidade. Ou seja, nas férias, não tem ninguém aqui. E tudo funciona por causa deles. A palavra mágica é “estudante”, pra conseguir qualquer coisa – teoricamente. Na prática, ela serve para complicar a sua vida de todas as formas possíveis.
Percebi isso esses dias, quando andei meia hora pra chegar à rodoviária sem ter que pagar ônibus, e poder pegar esse ônibus em um caso de necessidade maior. Abri minha carteira para pegar minha meia passagem de estudante (só consegui-la é uma vitória, depois de tanta burocracia) e marcar minha viagem de volta para casa. Aquela carteira que mal fechava. Dinheiro não tinha; só umas moedas pra pegar ônibus (em caso de necessidade extrema, claro) e carteirinhas: carteirinha da biblioteca, da Atlética, da empresa de ônibus, do banco, todas com a mesma palavra em letras garrafais, me lembrando do que eu me tornei: “estudante”.
No caminho de volta, mais meia hora de caminhada, vou ouvindo mp3 pelo celular de estudante, que toca mp3, tira foto, tem alguns joguinhos e – veja só! – recebe e faz ligações. É o luxo de todo estudante, obrigatório, ter um celular que, para ser equivalente a um canivete suíço, só falta o saca-rolhas. Com um celular recém-lançado, a pessoa só lembra que é estudante quando precisa fazer uma ligação - a cobrar, lógico, porque 20 reais é muita coisa pra investir em crédito pro celular.
Chegando em casa, com o pé dolorido do All Star resistente, percebo que devo ter errado a porta; entrei num chiqueiro. A casa está imunda, mas ninguém tem tempo no fim do semestre pra limpar. Chamar uma faxineira, de jeito nenhum! 10 reais é dinheiro DEMAIS pra limpar a casa; nós conseguimos limpar, é só arrumar tempo. Entre a ligação do vizinho chato, que inacreditavelmente não consegue dormir por causa do barulho de um espirro no apartamento ao lado, e a conclusão da monografia de Introdução a Greve e Paralisação I, nessa casa com rolos de cabelo pelos cantos e com menos de 5 reais na carteira, eu arrumo um tempo. Não para limpar a casa, porque ela é grande e eu não vou limpá-la sozinha. Mas para pensar na minha própria causa e me solidarizar a ela.
Estudantes não são bon-vivants. Estudantes não têm dinheiro, não têm experiência de vida, não têm colo da mamãe no fim do dia. Estudantes têm mil carteirinhas de estudante, mil descontos mínimos de coisas que eles nunca precisarão e mil dores de cabeça. Além disso, costumam ser invisíveis – e olha que são 20 mil! Mas nem sempre. Os estudantes não estão abandonados, algumas pessoas se importam com eles: bancários, assaltantes, corretores de imobiliárias, pessoas que não dão carona, síndicos e vizinhos, donos das empresas de ônibus, taxistas mal-educados e comerciantes que não parcelam as compras. Dedico esse post a essas pessoas de coração bom e honesto, esperando que elas saibam que, sem elas, a vida de estudante seria fácil e agradável e, provavelmente, não teria graça.
Obs: perdoem-me por não ter escrito de acordo com as regras da ABNT, mas bixo é tudo burro.
Giovana e você leu. Agora comenta!
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Sábado, Março 01, 2008
GUIA DE SOBREVIVÊNCIA A INVASÕES ALIENÍGENAS
Eu não quero ser pessimista, ou a detentora das más notícias, mas eles estão entre nós. De novo. Não pegaram gosto pelo pão de queijo em Varginha e dessa vez vieram provar da nossa cachaça nos arredores da Terra de Ninguém. E tá todo mundo apavorado: os donos daz fazendas de cana, os apresentadores de noticiários sensacionalistas, os telespectadores desses telejornais e, a parcela mais apavorada, a geração sobrevivente do ET de Varginha, que hoje tem lá pelos seus 18 anos e um sério trauma de infância.
Ouvi falar, aliás, que está aberta a temporada de caça ao ET, patrocinada por um canal da tv aberta. O slogan é "balança o ET!", como se o ET tivesse vindo pra cá pra pular Carnaval no bloco da Ivete e chegado um pouco tarde. Não sei qual é a recompensa, desculpem, meu trabalho investigativo, quando é sobre ETs, termina no começo. Eu não vou caçar ETs nem ir no bloco da Ivete, nem andar à noite no canavial. Eu não vou arriscar encontrá-los. Eu tenho lá pelos meus 18 anos e um sério trauma de infância.
Mas eles não vão me pegar! Medo todo mundo tem, mas saber se proteger desses seres é fundamental. Pensando no meu próprio bem primeiro, e depois no da população mundial, eu elaborei um guia de sobrevivência a invasões alienígenas, baseado em horas de pesquisas com material importado de Holywood sobre a abordagem, a preparação para o ataque, o ataque e os pontos fracos dos aliens. Então, aprendam como se safar desses malditos que não desistem de invadir nossa terra de 1/3 de terra e viva pra contar a história!
1. Não more nos EUA
...se todos os ataques já registrados pelas câmeras de Holywood foram nos EUA, que diabos estão esses ETs mal orientados fazendo aqui?!
2. Cuidado com o 7 de setembro!
Vai que eles pegaram gosto em atacar no Independence Day...
3. Tenha água por perto.
More perto do rio, do lago, do mar, do poço, em lugares de alta pluviosidade e espalhe copos de água pela casa toda (e cuide para sempre ter um taco de beisebol por perto, pra poder acertar os copos nos ETs sem ter que se aproximar muito, porque ET é repugnante). Água pra alienígena é igual sal pra lesma. Entende?
4. Veja os sinais!
Ééééééé!
5. Eles não vieram em paz.
Se tivessem vindo, não teriam aquelas armas de alienígena. Isso, aliás, me lembra a filosofia daquele país imperialista, de ir em missão de paz e matar todo mundo que encontrar pela frente.
6. Ou talvez tenham vindo.
Como ter certeza? Estique o dedo pro ET. Se ele tocar o seu dedo, ele é do bem. Se cortá-lo fora, ele é do mal (vai ver eles ainda estão se vingando do Mel Gibson). Simples assim!
7. Insiste em caçá-los? Tenta, ué.
Não deve ser tão difícil, o Will Smith conseguiu!
8. Mas se capturá-los, não os mande pra Area 51, ou para o MIB...
Eles ficam vingativos e podem te levar pra Area 51 deles da próxima vez. E daí, como você fica, hein?? Você queria que ele fizesse isso com você?? Lembra da sua mãe falando "não faça com os outros o que você não quer que os outros façam com você"??
9. ...mande-os de volta pra onde vieram!
Entre no meio da floresta, de madrugada, com o ETzinho enrolado em um cobertor. Se der pra ir de bicicleta, melhor ainda. E espere pela chegada da nave mãe. Ou jogue-o na privada e dê descarga.
10. Lembre-se: a verdade está lá fora
Então, fique aqui dentro!
Por via das dúvidas, sugiro que você carregue um dente de alho e uma bala de prata, pro caso de alguma outra criatura oportunista aparecer.
Viu como é fácil escapar dos ETs? Agora é só aproveitar nossos últimos meses de vida solitários no planeta, antes do ataque dia 7 de setembro (fico me perguntando se seria de todo mal se eles destruíssem o Palácio do Planalto...). Ou eles realmente já estão entre nós?
Giovana e você leu. Agora comenta!
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Sábado, Fevereiro 16, 2008
NASCE UMA LENDA URBANA
Não, não é o filho da Christina Aguilera, nem o da Nicole Richie. Esses são lendas urbanas cosmopolitanas. Aqui é a Terra de Ninguém.
E a cada dia aparece alguma lenda urbana nova, nem que seja uma vez só. Deve ter algo na nossa água que deixa as pessoas meio desnorteadas, loucas mesmo (prova disso é que passarinho nenhum bebe nossa água). E, com certeza, engraçadas, porque a alegria da nossa vida é a tragédia da vida alheia.
Esse causo, ao qual eu quase passivamente assisti, aconteceu esses dias, no ponto de ônibus, um lugar extremamente entediante que foi alegrado na ocasião. Além de mim, havia outras duas moças, um rapaz e um casal de namorados. Casalzinho daqueles de filme, todo apaixonadinho e sorridente, que acha que todo mundo está superinteressado na vida amorosa deles e os acha o casal mais lindo do mundo. Que fica abraçado fazendo pose pros paparazzi. Casal da Malhação. Meio repulsivo para as pessoas normais; mas pra quem bebe a água da Terra de Ninguém, eles são um alvo fácil.
Uma das moças se aproxima do casal e os observa de perto. Cada vez mais perto. Imaginei que ela fosse roubar a bolsa da menina, mas ela só estava carente por uma conversa. E começou o ataque, quando o casalzinho lhe deu alguma atenção.
- Você vai casar com ela? - sutilmente!
- Ah, pretendo... - respondeu o rapaz, meio confuso.
- Ah, casa com ela. - nisso a menina começou a rir internamente. Eu já estava tentando, sem muito sucesso, sufocar uma risada
- Mas é complicado, né? Tem um monte de coisa pra ver.
- Não, moço, ela é tão bonita, olha só... casa com ela, vai! - "hum, olha o xaveco!"
- Ela é. E eu, eu sou bonito também? - "hum, olha a inveja!"
- Você não. Seu cabelo é... sabe...
- É ruim, né?!
Pausa para a descrição tardia da intrusa. Ela era baixinha, de cabelo curto, blablablá, tudo isso não importa. O que importa: o cabelo dela foi o que gerou a expressão "cabelo ruim". Daqueles que, se ficar 3 horas na piscina, sai seco. Agora voltemos pro diálogo:
- É. É ruim. - pausa para a mulher pensar no que falou. - O meu também é, mas é que o seu é muito grande...
- Também acho que ele devia cortar. - a menina interferiu na conversa, finalmente, quando a conversa virou a seu favor. E chamou de novo a atenção.
- Olha só, rapaz, que menina bonita. Tem que casar com ela. Mas tem que ser logo.
- Senão fica velha e caída, né?
(prepare-se: você provavelmente terá um ataque de riso a seguir)
- E fica arrombada! - PfffwaHAHAHAHAHAHAHAHA! Não agüentei! Comecei a rir na cara da mulher!
- Arrombada?! - na verdade ninguém agüentou e o ponto inteiro deu risada dela.
- É, arrombada. Tô falando sério! Cê sabe, o macaco é bom mas gosta de banana.
Nesse ponto eu perdi o rumo. Não consegui ouvir o resto da conversa. Me deu dor de barriga de rir. No casal também, na outra moça e no outro moço. Quando percebi, a mulher já tinha ido embora, e nem pude fazer o registro oficial dessa nova lenda urbana da Terra de Ninguém. Eu a catalogaria, registraria no cartório, com firma reconhecida de cópia autenticada. A pregadora do matrimônio e da abstinência sexual, Conga, a mulher-macaco! Afinal, o macaco é bom, mas gosta de banana!
Sobre o último post: assisti ao programa da Marimoon, e confesso que não achei tão ruim. Ela é meio sem sal, mas consegue se virar bem. Parabéns pra ela... mas, em defesa (própria) da classe comunicação graduada, continuo acreditando que apresentar programa de tv não é coisa de blogueiro.
Giovana e você leu. Agora comenta!
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Sábado, Janeiro 26, 2008
"VJORNALISMO" DE ELITE
Eu estava de férias, depois de dois vestibulares cruéis, diante da ansiedade "passei-ou-não-passei", cansada, sem querer pensar em nada - e, pra ser sincera, sem muito o que pensar. Vítima, portanto, da temida máquina manipuladora de pensamentos: a televisão. Aliada a ela, a empresa manipuladora de pensamentos adolescentes: a Mtv.
Mas algumas coisas simplesmente nem precisam ser pensadas. Foi o caso.
Em meio ao tédio da tarde de quarta-feira, me aparece um ser de cabelo rosa e roupa de hentai: Marimoon. Conhece, né? Aquela blogueira e blablablá. "Marimoon é a nova VJ da Mtv!"
Ah, não. Calma aí, assim eu me ofendo. Eu passei o ano inteiro estudando pra entrar na faculdade de jornalismo, pra ter o mínimo preparo pra fazer uma coisa dessas, e a Marimoon vira VJ?! A Marimoon tem algum curso superior? A Marimoon terminou o colegial??
Ah, não. E o pior: pelo que o comercial apresenta, ela vai ler emails dos telespectadores e chamar outras pessoas, que vão falar das coisas por ela. É a revolução da televisão brasileira, senhoras e senhores! Pelo menos estão exigindo que a pessoa saiba ler.
Tá, a Marimoon é bonita e tem carisma. Acho que ela até deve saber falar bem, sei lá, nunca vi ela na TV (o comercial não conta, qualquer um consegue gravar um comercial decentemente depois de 300 tomadas). Mas, pô, a Mtv é um dos canais mais vistos do país! Os ex-VJs (competentes) de lá costumam acabar bem-sucedidos. Veja a Didi, o Edgar, a Sarah, a Chris Nicklas...
E a Marimoon, qual a profissão dela daqui a 3 meses? VJ. E daqui a 3 anos? Blogueira. E ser blogueiro não é grande coisa. Qualquer um é blogueiro. E qualquer um lê teleprompter.
Giovana e você leu. Agora comenta!
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Domingo, Novembro 11, 2007
O MISTÉRIO DO COELHINHO
Há algum tempo, na verdade um bom tempo, tanto que não tenho muita certeza do quanto seja, tinha um cara muito malvado que cometeu um seqüestro. Aliás, alguém "comete" um seqüestro?... enfim. Coisa de cinema: webcam ligada 24h, através da qual os internautas de sangue mais frio poderiam assistir o desespero no olhar da vítima. O resgate: não lembro direito, mas devia ser algumas centenas de milhares de dólares, se não com seis dígitos. O seqüestrador: um inglês louco e provavelmente muito vagabundo, a ponto de ameaçar matar a vítima, um coelho, se não recebesse a quantia até tal dia.
E o coelhinho era a coisa mais fofa do mundo: branquinho, de orelhinhas caídas e carinha de dó. Se valia um milhão, não sei; não sou ninguém pra dar preço à vida de ninguém. Mas que era de partir o coração, isso era.
E, no fim, não sei que fim o coelhinho levou. Tenho medo de ir atrás, na verdade, porque meus hormônios andam meio desregulados e eu provavelmente choraria três dias ao saber que ele foi assassinado. Convenhamos, quem pagaria um milhão de dólares para poupar a vida de um coelhinho desconhecido?... bom, eu pagaria, se eu tivesse uns 30 milhões. O Donald Trump também poderia pagar, ou o Bill Gates, até a Madonna, que é cheia de criar polêmica, ou a Angelina Jolie, que é embaixadora de sei lá o quê da ONU. Antes fosse da SPA...
Pra quem ficou curioso sobre o destino do coelhinho, ele se chamava Bernt. E, caso descubra em que mundo está o coelhinho, fala pra gente nos comentários. Só não prometo um milhão de dólares pela informação.
Giovana e você leu. Agora comenta!
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Segunda-feira, Outubro 01, 2007
O TEMPO PARA AS MULHERES
Em terra de cego, quem tem um olho é rei; em época de correria, quem tem tempo que é. E qualquer estudante sabe que, quando chega nessa época, meio véspera de vestibular, o que falta é tempo pra estudar, pra tirar todas as dúvidas da matéria, pra sair, pra fazer qualquer coisa. Tudo vira perda de tempo. E, novamente, quem consegue conciliar tudo isso é o novo rei. Acho que até chega a desbancar o caolho da terra dos cegos e o São Pedro (o cara que tem "tempo", ahá!) (tudum-pishh!).
Acontece que eu nunca fui excepcional, e não vou fugir à regra nessa altura do campeonato. Eu não consigo conciliar nada. E tenho preguiça de tentar. Em outras palavras, sou uma fracassada convicta. Não sigam o meu exemplo, crianças, sua mãe ganha Bolsa-Escola pra você estudar, não vagabundear. Mas, como pra mim ele não paga nada...
E é nessa época que, se você parar pra olhar bem, o pessoal fica meio relaxado. Não quanto a estudos, mas quanto a si mesmos. Meninos são relaxados, é pré-requisito pra que sejam meninos (se bem que agora tem aquela onde de "metrossexual"... bobagem de clínica de estética.). Meninas não; elas fazem as unhas, cortam as pontas duplas e tentam não ter um pêlo fora do lugar. Mas isso tudo demora, e não temos tempo pra isso! Quanto tempo você, usuário de cueca, demora pra arrumar suas unhas? Bom, nós demoramos pelo menos uma hora. Toda semana. Ou seja, são quatro horas por mês fazendo a unha.
Soma-se a isso o tempo no cabelereiro, na depilação, na fofoca, na academia (que, aliás, eu tenho pavor), isso quando não estamos na TPM e passamos o dia deprimidas... se o dia tivesse 30 horas não daria tempo!
Então, pegue a lista de aprovados nos cursos mais concorridos das melhores faculdades e você verá: a maioria é dominada por homens! Mas faz sentido, pense comigo: se nós não nos preocupássemos em estar sempre bonitinhas e arrumadinhas, nós também dividiríamos nosso tempo pré-vestibular entre estudar, comer, dormir e se trancar no banheiro às vezes (sim, nós sabemos tudo que vocês fazem!).
Por isso, acho que a rotação da Terra devia ser atrasada. Com umas 4 horas a mais nosso tempo ficaria equivalente ao dos homens, e aí sim o mundo seria justo para os dois sexos!
Giovana e você leu. Agora comenta!
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Sábado, Abril 28, 2007
PESSOAS
Eu sou uma pessoa emotiva. Tudo me toca o coração e pouca coisa me faz chorar. Eu chorei quando meu vizinho passou no Ídolos, no meu sonho que eu caía no nada, quando o Macaulay Culkin (ou seja lá como se escreve o nome do rapaz) morreu por causa da alergia às picadas de abelha naquele filme da sessão da tarde - aliás, chorei todas as 7 vezes que vi esse filme - , chorei quando meu sorvete recém-comprado caiu no chão, quando meu pai falou que o Papai Noel não ia ter dinheiro pra me dar o que eu queria, chorei quando o presente apareceu debaixo da árvore e choro até hoje quando penso que o Papai Noel roubou alguém por minha culpa.
Mas tem alguma coisa muito errada comigo. Eu ando sensível demais. Hoje, eu choro quando leio a notícia de um crime hediondo, quando me falam que o dinheiro dos meus pais está na cueca de alguém que eles nem conhecem, choro quando morre alguém famoso e até quando um alguém famoso sai do hospital. Choro com o relatório da ONU, sinto pena dos animais que não têm nada a ver com o aquecimento global e choro por eles, e choro muito.
Animais são fascinantes. Eles são seres injustiçados, exemplos de humanos perfeitos que, por uma ironia do destino, não puderam sê-los. Eles são alegres, leais, não almejam a nada, não passam a perna uns nos outros, matam por necessidade biológica, não por capricho. Filmes da Disney não mostram animais, mostram pessoas em pele de animais. Animais não são cruéis; pessoas são cruéis.
Na periferia da Terra de Ninguém há terras de ninguém, que se ligam à Terra de Ninguém por estradas que atravessam o que um dia foi habitat de um monte de bichinhos que foram tirados dali por pessoas. Mas em um ponto ou outro ainda há um resto de mata, então esses bichinhos vivem por ali.
Eis que um deles é uma onça-parda. Um Felidae. Lindo. Macho, jovem, grande e visível como uma onça-parda deve ser. Essa onça estava perto da estrada e bateu em um carro. Depois disso, caiu na pista. Na pista tem outros carros, dirigidos por pessoas. Se fossem animais, desviariam, prestariam socorro, sei lá. Mas eram pessoas, e atropelaram a onça. Eram três pessoas e ninguém viu uma onça na estrada.
Depois disso alguém tomou vergonha na cara e resolveu resgatar a onça - ela deveria estar atrapalhando o tráfego; não a salvariam por ela ser uma onça. Ela foi convenientemente imobilizada e sedada por um veterinário (afinal, uma onça com o quadril e os membros posteriores quebrados é perigosíssima para as pessoas) e levada até o zoológico, onde outros animais tirados de seus habitats são trancafiados para serem vistos por filhotes de pessoas que pulam e gritam e os estressam.
No dia seguinte, o veterinário responsável do zoológico a encontrou morta. O zoológico não tem veterinários de plantão, mas isso é passível de perdão, eles são só pessoas.
Eu chorei, chorei muito. Fiquei indignada. Vi a foto da onça no jornal e chorei mais. Se fosse uma pessoa, não teria sido atropelada por 3 carros nem teria sua foto no jornal. Se não fossem as pessoas, a onça continuaria sua vida e você nem saberia da existência dela. Pessoas são monstros. A única coisa que me consola é pensar no estrago que os atropelamentos devem ter feito nos carros das horríveis pessoas que "não viram" aquela onça. Pessoas são fáceis. É fácil achar um ponto fraco.
Giovana e você leu. Agora comenta!
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Terça-feira, Abril 10, 2007
MUNDO MACHO
Apesar de termos queimado sutiãs e morrido queimadas na fábrica de tecidos para ganharmos um dia com o nosso nome, o mundo ainda é controlado pelos pêlos e odores masculinos.
Homens são criaturas curiosas. Eles se acham gênios, com invenções geniosas, criadas para esnobar outros homens, peludos como eles, e falar "eu consegui antes de você". As mulheres nunca entraram nesse grupo de pessoas que os homens querem esnobar, eles só querem esnobar a si mesmos. As mulheres eles querem conquistar, impressionar, querem ser admirados por elas.
Então, eles vêm com criações estapafúrdias, as típicas invenções inúteis, porque nos acham seres inferiores e incapazes. Só para citar um exemplo, a máquina de lavar louça, a maravilha do século. Ela foi inventada por uma dona de casa que não agüentava mais lavar louça, para que outras donas de casa não precisassem lavar louça. Um homem não pensaria nisso. Homens não ficavam na cozinha naquele tempo. Hoje também não ficam; eles usam o disque-pizza.
Em compensação, eles inventam sutilezas no dia a dia que merecem ser notadas. A florzinha do adesivo do absorvente, o grill George Foreman na mesa do jantar, os desenhos na planta do chinelo, o papel higiênico perfumado... mas o campeão é o porta-absorvente (que deve ter sido por outro homem que não o que inventou os desenhos no adesivo, porque isso seria digno de prêmio Nobel). Você, leitora, sairia por aí em direção ao banheiro com uma caixinha com formato de absorvente, cores alegres e desenhinhos fofos (ih, já ganhou...)? Isso só prova que invenções masculinas para uso feminino são inúteis ao extremo. Espirram gordura, mancham, são indiscretas. Como isso pode agradar uma mulher?
Foi-se a época em que dar flores era romântico.
| :: SOBRE MIM |
nome: giovana
idade: 18, quase 26
moro em: terra de ninguém
| :: EU AMO |
purê de batata com carne moída, risada
de bebê,férias, meu país e meu violão verde.
| :: EU ODEIO |
purê de batata sem carne moída ou carne moída sem purê de batata, risada do josie, exercícios de química, ano de copa do mundo e quem pega no meu violão verde sem permissão.
| :: MEUS AMIGOS |
Na Ponta do Lápis
Lost-E-Ria
Russo Logo Existo
Mais Que Pélvis
Haja Paciência
| :: CRÉDITOS |
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Especial para Giovana. Cópia proibida.